Gosto de ler, não só sobre futebol, mas também o que gira à volta dele. Coisas recentes ou menos recentes. Numa dessas leituras (mais antigas) encontrei esta preciosidade:
“Há tempos escrevi um artigo sobre o temor de que o futebol tomasse os rumos do boxe profissional. Foi a propósito do jogo final da Copa da Europa entre o Internazionale de Milão e o Benfica de Portugal, acho que em 1966 [fui verificar e afinal é 1965]. O Benfica foi vencedor em Lisboa e o Inter, em Milão. A terceira partida, pelo regulamento da UEFA, tería de ser decidida em um país neutro. Acontece que um “comendatore” qualquer mandou brasa e comprou o jogo para ser disputado na sede do Inter. O Benfica vendeu. Fiz um protesto no almoço oferecido à imprensa, antes do jogo, lamentando que a partida não teria conteúdo esportivo porque o Benfica, em Milão, não tinha nenhuma chance. Claro que perdeu. Fui aplaudido pelos colegas portugueses, os de Angola, Moçambique e também pelos colegas franceses, um deles o Jacques Ferrand, outro o François Thebaud. Também pelo Arthur Agostinho, naquele tempo locutor da Rádio Nacional de Lisboa e, hoje, de corpo e vida presentes na Rádio Globo do Rio de Janeiro. Realmente assistíramos a um escândalo e a um esbulho nos torcedores portugueses, principalmente nos do Benfica.”
In: Saldanha, João: Futebol & Outras histórias – Rio de Janeiro: 1988
E esta hein!
//Compra-se ou Vende-se
Há tempos escrevi um artigo sobre o temor de que o futebol
tomasse os rumos do boxe profissional. Foi a propósito do jogo final da Copa da Eu-
ropa entre o Internazionale de Milão e o Benfica de Portugal, acho que em 1966. O
Benfica foi vencedor em Lisboa e o Inter, em Milão. A terceira partida, pelo re-
gulamento da UEF A, tería de ser decidida em um país neutro. Acontece que um
comendatore qualquer mandou brasa e comprou o jogo para ser disputado na sede
do Inter. O Benfica vendeu. Fiz um protesto no almoço oferecido à imprensa, antes
do jogo, lamentando que a partida não teria conteúdo esportivo porque o Benfica,
em Milão, não tinha nenhuma chance. Claro que perdeu. Fui aplaudido pelos
colegas portugueses, os de Angola, Moçambique e também pelos colegas franceses,
um deles o Jacques Ferrand, outro o François Thebaud. Também pelo Arthur
Agostinho, naquele tempo locutor da Rádio Nacional de Lisboa e, hoje, de corpo e
vida presentes na Rádio Globo do Rio de Janeiro. Realmente assistíramos a um
escândalo e a um esbulho nos torcedores portugueses, principalmente nos do
Benfica.