Estudos

O uso da maturação somática na identificação morfofuncional em jovens jogadores de futebol

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portada_130Atualmente, é crescente o número de estudos que visa identificar e analisar parâmetros morfológicos e físicos de crianças e adolescentes inseridos em treinos sistemáticos nas mais variadas modalidades desportivas. O conhecimento do perfil relacionado a essas variáveis e de seus respectivos comportamentos e respostas ao processo de treinamento é fundamental para o contexto da especialização esportiva.

Tivemos acesso a um estudo muito interessante que irá ser publicado na Revista Andaluza de Medicina del Deporte no próximo mês de setembro. Nesse trabalho efetuado por A. L. Mortatti, R. C. Honorato, A. Moreira, M. de Arruda o objetivo é :

“As modificações que ocorrem com os jovens nas idades anteriores ao pico de velocidade de crescimento (PVC) podem influenciar de maneira direta o seu desempenho nas atividades esportivas. Considerando esse pressuposto, o objetivo deste estudo foi analisar o efeito da maturação somática nas variáveis motoras e corporais de jovens futebolistas.”

“Os resultados da análise de variância demonstram que o desempenho no salto vertical com contra movimento (…) e no salto horizontal (…) é influenciado pelo nível maturacional, o mesmo ocorrendo para a flexibilidade (…). Por outro lado, o desempenho no teste de potência aeróbia não foi afetado pelo nível maturacional. As variáveis corporais somatotipo e o recíproco do índice ponderal se mantiveram estáveis independentemente do grau de maturação; apenas foram verificadas diferenças nos valores corporais para o IMC.”

Neste trabalho concluiu-se que:

“A determinação dos estágios maturacionais dada pelos anos em relação ao PVC (pico de velocidade de crescimento) dentro de uma determinada faixa etária pode ser um valioso instrumento de orientação para técnicos e treinadores na adequação dos treinamentos em função da real condição funcional de seus jovens atletas.”

Prever o sucesso de um jogador de topo (estudo científico)

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O Investimento em jogadores de futebol é um negócio arriscado e onde faltam ferramentas de previsão. Um estudo publicado recentemente sugere que a precisão na escolha das futuras estrelas deve incluir não só a análise da capacidade física e o controlo da bola. Os dados sugerem que as medidas de funções executivas com testes neuropsicológicos validados podem estabelecer se um jogador tem a capacidade de atingir níveis mais altos no futebol. Assim, o presente estudo pode alterar a forma de ver e analisar o recrutamento de novos talentos.

Poderá consultar o estudo na sua totalidade aqui

Investigador defende “reeducação” dos clubes portugueses

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A limitação de jogadores estrangeiros no futebol português, que está a ser estudada pelo governo, poderá ser facilmente contornada, segundo um dos autores do “Estudo Demográfico 2012”, que aponta a “reeducação” dos clubes como uma prioridade.

Em declarações à Agência Lusa, o investigador suíço Raffaele Poli, diretor do “Observatório do Futebol”, que anualmente elabora um estudo estatístico sobre a modalidade na Europa, apresenta o exemplo do Brasil, mercado preferencial dos clubes portugueses, onde existem vários atletas com passaporte comunitário.

Apesar de achar que a proposta do governo português é exequível, Raffaele Poli lembra que, mesmo em Inglaterra, onde apenas são concedidas licenças de trabalho a atletas extra-comunitários que sejam internacionais pelos seus países, é difícil limitar o número de estrangeiros.

«Em Inglaterra, qualquer jogador comunitário pode trabalhar lá e o mesmo se passa em Portugal. Por exemplo, há muitos brasileiros com passaporte comunitário e mesmo impondo essa limitação, não será possível impedir que estes jogadores trabalhem em Portugal, mesmo tendo em conta que não são portugueses. Será possível limitar uma minoria, mas cerca de dois terços possuem passaporte comunitário», explicou.

O investigador afirmou que «se querem mesmo promover o jogador português, o melhor seria reeducar os clubes, dar-lhes mais meios para a formação», admitindo, ainda assim, que a disparidade na distribuição de verbas dificulta o trabalho dos clubes.

«O mais importante é tentar convencer os clubes de que, mesmo do ponto de vista financeiro, será mais vantajoso promoverem os jogadores que atuam nas escolas de formação. O maior problema poderá estar relacionado com o facto de o dinheiro não estar bem distribuído, já que os maiores clubes têm mais verbas que os restantes», referiu.

No entanto, na opinião de Raffaele Poli, qualquer alteração na orgânica do futebol português deverá passar, em primeiro lugar, por clubes, Liga e Federação, sendo que o poder político «apenas deve desempenhar um papel de suporte e de apoio às ideias apresentadas».

«Se não houver uma visão comum, e mesmo impondo essas tais limitações, acabará sempre por ser possível contornar esta questão», adiantou.

A Liga portuguesa de futebol é a segunda da Europa com maior percentagem de jogadores estrangeiros (55,1 por cento), com maior destaque para os atletas de origem brasileira (130), que representam 57,7 por cento do total de forasteiros a atuar em Portugal.

Raffaele Poli, que integra o “Observatório do Futebol”, juntamente com Loic Ravenel e Roger Besson, revelou ainda que a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) está entre «os clientes que costumam adquirir» o relatório anualmente desenvolvido pelos investigadores, além da FIFA, UEFA e alguns clubes «alemães, franceses, belgas, holandeses e russos».

«Fazemos relatórios detalhados para alguns clubes, mas não posso revelar quais. É uma questão confidencial, já que não querem que os seus rivais também nos procurem. Existe algum interesse, pois agora somos mais conhecidos do que há seis anos», concluiu.

Fonte: Sapo

É preciso acordar para a realidade e… mudar!

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Nos últimos dez anos, a dívida dos clubes junto da banca aumentou 500 milhões de euros, mas entretanto a conjuntura mudou, face às restrições actuais no acesso ao crédito, e a realidade aconselha a uma mudança de paradigma.

No estudo “Competição fora das 4 linhas“, encomendado pela Liga de Clubes à Universidade Católica é exposta a falta de viabilidade financeira da actual I e II Ligas e a importância de as equipas B passarem a competir a nível profissional, dinamizando a prospecção e a projecção de talentos. “Tal como o país, o futebol profissional precisa de acordar para a realidade.

Os números mostram um futebol profissional com um crescimento muito superior do do próprio país, mas assente numa base de endividamento e financiamento.

O recém-criado Observatório do Futebol Profissional, nascido a partir deste estudo,  é constituído por elementos da Liga de Clubes e da Universidade Católica. Este grupo de trabalho, procurará rentabilizar ao máximo o leque de informação recolhido para ajudar os clubes a delinear as suas estratégias de gestão a diversos níveis, desde as equipas B até outros parâmetros relacionados com o âmbito da sua actividade no futebol profissional. “Será uma importante forma de conhecimento e a ela recorreremos de forma permanente e sistemática”, acrescentou Fernando Gomes (Presidente da Liga de Clubes).

Será que vai produzir resultados práticos? espero que sim. Foi preciso tanto tempo para se saber da importância da projecção de talentos.

Qualidade, satisfação e lealdade dos espectadores de futebol

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Foi publicado um estudo que pretende aferir os atributos de qualidade mais valorizados no jogo de futebol e medir o seu impacto na satisfação e na lealdade. Foram recolhidos 455 inquéritos em 3 jogos da Liga Sagres (época 2009/2010). Através de uma análise factorial foi identificado que a capacidade de comunicação e o relacionamento com o pessoal de apoio, as acessibilidades e segurança, os aspectos tangíveis, a atmosfera, a equipa técnica, a competição e os adversários, são os atributos que os espectadores mais valorizam na avaliação da qualidade de um jogo de futebol.  Foi verificado ainda que os atributos identificados na qualidade ajudam a explicar a satisfação dos espectadores, nomeadamente a capacidade de comunicação e o relacionamento com o pessoal de apoio, os aspectos tangíveis, a equipa técnica e, as acessibilidades e segurança. Quanto à lealdade os mesmos têm um impacto reduzido, sendo que a atmosfera, as acessibilidades e segurança, a equipa técnica e, os aspectos tangíveis são os atributos que assumem maior relevância.

Esta é uma Tese de Mestrado apresentada por Luíz Santos na FMH em 2011 e pode ser consultada aqui.

Detectar o talento através do Gene ACTN3

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O seu filho nasceu para correr, nadar ou jogar futebol? Percorrer distâncias longas ou curtas? É possível saber isso através de um teste genético.

A empresa Atlas Sports Genetics oferece um exame muito simples: o médico efectua a recolha do material genético. Esse ADN é levado ao laboratório para que o ACTN3 (um de entre os mais de 20 mil genes que o homem possui) seja avaliado.

O teste sugere se a pessoa teria mais sucesso em desportos de velocidade, como futebol ou corridas curtas, resistência, como maratonas, ou a combinação das duas características. Em 2003, cientistas australianos descobriram que há uma relação entre este gene e a habilidade desportiva das pessoas.

Muitos estudos científicos (como poderá consultar aqui) começam a aparecer sobre este assunto.

No entanto é preciso cuidado, o teste é feito em crianças de oito anos; testes físicos com crianças dessa idade não são capazes de apresentar resultados reais. A empresa assume que o teste tem limitações e há cientistas que afirmam que a performance atlética de uma pessoa não vem de um ou dois genes, mas de um conjunto de pelo menos 200. Mesmo assim, o teste é um indicativo, que pode ou não ser seguido.

Fontes: Época, Pubmed, Folha, Isto é

A imagem como variável explicativa da lealdade e da satisfação nos espectadores de futebol

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“O desporto hoje em dia, principalmente o desporto de alta competição, tornou-se numa forma de valorização das marcas que o patrocinam, utilizando os jogadores como um meio de publicidade dos diferentes produtos que oferece (Stone et al. 2003). A aparência em público dos jogadores, a imagem que eles transmitem aos espectadores, consumidores e adeptos da modalidade, faz com que associem a marca ao ídolo/jogador. Consequentemente, há um aumento de assistência aos jogos das equipas desses mesmos atletas e modalidade.”

A Dissertação elaborada por Sara Seixas Dias, com vista à obtenção do grau de Mestre em Gestão do Desporto, “pretende conhecer e caracterizar os espectadores de futebol em Portugal, com o intuito de criar metodologias de gestão que nos permitam tornar a imagem do futebol mais aliciante, retendo e cativando mais espectadores e posteriormente mais praticantes. Este conhecimento irá proporcionar às organizações meios para atrair mais patrocínios às equipas, tendo sempre como base a imagem que o espectador sustenta da modalidade”.

O melhor é ler aqui

Relva natural ou artificial?

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Cada vez existem mais campos de relva artificial, os pisos sintéticos estão a substituir os antigos campos de jogos em terra batida e ainda bem, já sobre a mudança da relva natural para o sintético não concordo. Já sei que me vão falar nas vantagens económicas na sua manutenção e até nos recursos humanos. O que muitos (incluindo eu) questionam é mais a questão dos jogadores, o seu uso durante anos e anos (começam já aos 4-5 anos) e probabilidades de lesões a longo termo.
Num estudo cientifico publicado muito recentemente no último número da revista Clinical journal of sport medicine : official journal of the Canadian Academy of Sport Medicine  essa questão é abordada de uma forma muito cuidada e a conclusão não evidencia grandes diferenças para já ( o estudo teve a duração de 1 ano), mas… a tendência pende sem dúvidas para um maior número de lesões na utilização dos campos de relva artificial.

Agora que a medicina já se interessou pelo assunto, vamos aguardar.

Em Portugal praticantes de futebol aumentaram 24%

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Segundo um estudo da Cetelem! Em Portugal, as modalidades com mais praticantes continuam a ser o futebol, campismo e voleibol. Em termos de crescimento o número de praticantes de voleibol e futebol inscritos em federações nacionais, aumentou 24 % e 2% respectivamente entre 2007 e 2009. Em relação ao campismo verificou-se um decréscimo de adeptos, que, mesmo assim, continua a ser uma das áreas que reúne mais praticantes.

Previsão de falências de clubes a curto ou médio prazo

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O consultor da Deloitte Ricardo Gonçalves previu que no curto e médio prazo haverá clubes e sociedades desportivas que vão cessar a actividade profissional de futebol, na Europa como em Portugal.

“A indústria de futebol é uma actividade económica como as outras e não está imune à crise”, disse à agência Lusa aquele analista da Deloitte, especializado na área do desporto.

Ricardo Gonçalves assinalou que o crédito mais escasso e mais caro, uma previsível redução dos proveitos de patrocínios e publicidade, menor rendimento da venda de jogadores para o estrangeiro e quebra de receitas de bilheteira e “merchandising” (vendas de camisolas e outros artigos), vai implicar “um aperto de cinto” dos clubes portugueses.

Salientou que com a baixa da taxa Euribor serão aliviados os custos dos clubes com empréstimos passados mas, num contexto de problemas de liquidez, a obtenção de novos empréstimos será dificultada: “Vai haver menos dinheiro para emprestar aos clubes”, e o custo do crédito vai agravar-se, com “spreads” muito maiores.

Aquele consultor da Deloitte sublinhou que a indústria de futebol, não só em Portugal como na Europa, está bastante endividada e apresenta um risco superior à média, “tem um balanço muito débil e vai ter problemas nesta conjuntura” de contracção económica.

Ricardo Gonçalves salientou que os custos com pessoal (salários mais amortizações de transferências) se situam em média em Portugal em 69 por cento das receitas correntes, acima dos 60 por cento recomendados pela UEFA, o que significa que é preciso um “pequeno ajustamento” no sector.

Mas o consultor da Deloitte acredita que, após uma fase de redução de preços de transferências e contenção de salários nas renegociações de contratos no curto/médio prazo, devido à crise económica, estas variáveis vão voltar ao normal e crescer no longo prazo.

Do ponto de vista económico, os salários de Cristiano Ronaldo justificam-se porque a sua produtividade marginal (aumento de receitas para o clube gerado pela sua contribuição) é muito elevada, indicou.

Ricardo Gonçalves acredita que a longo prazo a receita gerada pela indústria do futebol vai voltar a crescer, porque o rendimento disponível das famílias aumentará e haverá mais tempo de lazer, o que significa que os valores de transferências e os salários vão voltar a subir.

Adiantou que existe uma correlação directa entre o crescimento do PIB de cada economia e o crescimento das respectivas indústrias desportivas, em que o futebol ocupa lugar de relevo no caso europeu.

Ricardo Gonçalves salientou a tendência de globalização da indústria do futebol, com entrada em novos mercados, destacando que a opção pela realização de campeonatos mundiais em países como o Japão e Coreia do Sul ou na África do Sul se insere nessa lógica.

“Há grandes clubes europeus que estão a fazer as suas pré-épocas na China, numa lógica de globalização de marcas”, observou.

O especialista da Deloitte considera que a indústria mundial de futebol tem futuro e Portugal tem vantagens competitivas neste sector, porque é um mercado com grande apetência para a prática de futebol, que atrai muitos jovens, e para o seu consumo, além de ter um clima que permite jogar todo o ano e bons estádios espalhados por todo o país.

Além disso, nos últimos sete anos houve dois jogadores de futebol portugueses considerados como os melhores do mundo (Figo e Cristiano Ronaldo), o que contribui para que os futebolistas nacionais sejam mais valorizados nos mercados internacionais.

Ricardo Gonçalves defende que os clubes portugueses devem continuar a racionalização nos salários e custos de compra dos jogadores, que já começou há uns quatro anos, e transformar os modelos salariais, com maior componente de remuneração variável em função dos resultados, para se ajustarem a receitas também variáveis.

Fonte: Público