Estudos
Identificação de jovens talentos para o futebol
Os estudos académicos não são muitos, mas já vão aparecendo alguns sobre o tema acima mencionado, este artigo de revisão é o mais recente:
“The purpose of this review article was firstly to evaluate the traditional approach to talent identification in youth soccer and secondly present pilot data on a more holistic method for talent identification. Research evidence exists to suggest that talent identification mechanisms that are predicated upon the physical (anthropometric) attributes of the early maturing individual only serve to identify current performance levels. Greater body mass and stature have both been related to faster ball shooting speed and vertical jump capacity respectively in elite youth soccer players. This approach, however, may prematurely exclude those late maturing individuals. Multiple physiological measures have also been used in an effort to determine key predictors of performance; with agility and sprint times, being identified as variables that could discriminate between elite and sub-elite groups of adolescent soccer players. Successful soccer performance is the product of multiple systems interacting with one another. Consequently, a more holistic approach to talent identification should be considered. Recent work, with elite youth soccer players, has considered whether multiple small-sided games could act as a talent identification tool in this population. The results demonstrated that there was a moderate agreement between the more technically gifted soccer player and success during multiple small-sided games.”
Prever o sucesso de um jogador de topo (estudo científico)
O Investimento em jogadores de futebol é um negócio arriscado e onde faltam ferramentas de previsão. Um estudo publicado recentemente sugere que a precisão na escolha das futuras estrelas deve incluir não só a análise da capacidade física e o controlo da bola. Os dados sugerem que as medidas de funções executivas com testes neuropsicológicos validados podem estabelecer se um jogador tem a capacidade de atingir níveis mais altos no futebol. Assim, o presente estudo pode alterar a forma de ver e analisar o recrutamento de novos talentos.
Poderá consultar o estudo na sua totalidade aqui
É preciso acordar para a realidade e… mudar!
Nos últimos dez anos, a dívida dos clubes junto da banca aumentou 500 milhões de euros, mas entretanto a conjuntura mudou, face às restrições actuais no acesso ao crédito, e a realidade aconselha a uma mudança de paradigma.
No estudo “Competição fora das 4 linhas“, encomendado pela Liga de Clubes à Universidade Católica é exposta a falta de viabilidade financeira da actual I e II Ligas e a importância de as equipas B passarem a competir a nível profissional, dinamizando a prospecção e a projecção de talentos. “Tal como o país, o futebol profissional precisa de acordar para a realidade.
Os números mostram um futebol profissional com um crescimento muito superior do do próprio país, mas assente numa base de endividamento e financiamento.
O recém-criado Observatório do Futebol Profissional, nascido a partir deste estudo, é constituído por elementos da Liga de Clubes e da Universidade Católica. Este grupo de trabalho, procurará rentabilizar ao máximo o leque de informação recolhido para ajudar os clubes a delinear as suas estratégias de gestão a diversos níveis, desde as equipas B até outros parâmetros relacionados com o âmbito da sua actividade no futebol profissional. “Será uma importante forma de conhecimento e a ela recorreremos de forma permanente e sistemática”, acrescentou Fernando Gomes (Presidente da Liga de Clubes).
Será que vai produzir resultados práticos? espero que sim. Foi preciso tanto tempo para se saber da importância da projecção de talentos.
Detectar o talento através do Gene ACTN3
O seu filho nasceu para correr, nadar ou jogar futebol? Percorrer distâncias longas ou curtas? É possível saber isso através de um teste genético.
A empresa Atlas Sports Genetics oferece um exame muito simples: o médico efectua a recolha do material genético. Esse ADN é levado ao laboratório para que o ACTN3 (um de entre os mais de 20 mil genes que o homem possui) seja avaliado.
O teste sugere se a pessoa teria mais sucesso em desportos de velocidade, como futebol ou corridas curtas, resistência, como maratonas, ou a combinação das duas características. Em 2003, cientistas australianos descobriram que há uma relação entre este gene e a habilidade desportiva das pessoas.
Muitos estudos científicos (como poderá consultar aqui) começam a aparecer sobre este assunto.
No entanto é preciso cuidado, o teste é feito em crianças de oito anos; testes físicos com crianças dessa idade não são capazes de apresentar resultados reais. A empresa assume que o teste tem limitações e há cientistas que afirmam que a performance atlética de uma pessoa não vem de um ou dois genes, mas de um conjunto de pelo menos 200. Mesmo assim, o teste é um indicativo, que pode ou não ser seguido.
Fontes: Época, Pubmed, Folha, Isto é
Salários dos jogadores muito altos
Os campeonatos de futebol da Itália, Espanha e Inglaterra estão à beira da falência por causa dos altíssimos salários pagos a seus jogadores. A constatação está em relatório da consultoria AT Kearney.
Só os campeonatos da Alemanha e França são considerados lucrativos – 2% e 1%, respectivamente. Na Itália, o prejuízo é de 12%, na Espanha é de 7% e, na Inglaterra, de 5%.
O relatório diz que, se estes campeonatos deficitários fossem empresas, “estariam falidas em menos de dois anos”, e faz um grave alerta: “Não é absurdo pensar que alguns clubes podem fechar as portas num prazo médio”. Os clubes não são especificados no relatório.
Segundo a AT Kearney, a forma da escolha dos presidentes de clubes como Barcelona e Real Madrid – os dois que mais investem na contratação de “estrelas” internacionais – é feita por sócios e iniciativas como realizar grandes contratações são muito mais populares que o aumento do preço dos ingressos ou obtenção de novos patrocinadores.
A imagem como variável explicativa da lealdade e da satisfação nos espectadores de futebol
“O desporto hoje em dia, principalmente o desporto de alta competição, tornou-se numa forma de valorização das marcas que o patrocinam, utilizando os jogadores como um meio de publicidade dos diferentes produtos que oferece (Stone et al. 2003). A aparência em público dos jogadores, a imagem que eles transmitem aos espectadores, consumidores e adeptos da modalidade, faz com que associem a marca ao ídolo/jogador. Consequentemente, há um aumento de assistência aos jogos das equipas desses mesmos atletas e modalidade.”
A Dissertação elaborada por Sara Seixas Dias, com vista à obtenção do grau de Mestre em Gestão do Desporto, “pretende conhecer e caracterizar os espectadores de futebol em Portugal, com o intuito de criar metodologias de gestão que nos permitam tornar a imagem do futebol mais aliciante, retendo e cativando mais espectadores e posteriormente mais praticantes. Este conhecimento irá proporcionar às organizações meios para atrair mais patrocínios às equipas, tendo sempre como base a imagem que o espectador sustenta da modalidade”.
Resumo de um estudo sobre a prática do futebol por meninos
Título:
Desempenho da agilidade, velocidade e coordenação de meninos praticantes e não-praticantes de futebol.
Introdução:
Os benefícios que a prática regular de futebol proporciona no desenvolvimento dos componentes da capacidade física em meninos de 10 e 11 anos, ainda não estão esclarecidos. Assim, o objectivo do estudo foi verificar, transversalmente, o efeito da prática sistemática de futebol no desempenho da agilidade, da velocidade e da coordenação de meninos de 10 e 11 anos, associados a alguns aspectos do crescimento físico.
Materiais e Métodos:
Participaram deste estudo 28 crianças do sexo masculino, nascidos entre 1997 e 1998, distribuídos em dois grupos:
praticantes regular de futebol e não-praticantes de futebol. Foram mensuradas a massa corporal, estatura, comprimento da coxa e da perna, e
avaliada a coordenação, a velocidade e a agilidade de ambos os grupos. As variáveis foram comparados por meio do teste “t” de Student, para amostras independentes.
Resultados:
Não foi revelada diferença para massa corporal e estatura entre os grupos. No entanto, para o comprimento da coxa e da perna e para os componentes da capacidade física, foi apontada diferença significativa, favorecendo o grupo de praticantes de futebol.
Discussão:
A prática regular de futebol tem efeito positivo sobre o desempenho da coordenação, da velocidade e da agilidade de meninos de 10 e 11 anos. O melhor desempenho dos praticantes de futebol foi, provavelmente, causado pela prática regular de futebol.
Fit Perf J. 2009 Mar-Apr;8(2):110-4.
Em Portugal praticantes de futebol aumentaram 24%
Segundo um estudo da Cetelem! Em Portugal, as modalidades com mais praticantes continuam a ser o futebol, campismo e voleibol. Em termos de crescimento o número de praticantes de voleibol e futebol inscritos em federações nacionais, aumentou 24 % e 2% respectivamente entre 2007 e 2009. Em relação ao campismo verificou-se um decréscimo de adeptos, que, mesmo assim, continua a ser uma das áreas que reúne mais praticantes.
Previsão de falências de clubes a curto ou médio prazo
O consultor da Deloitte Ricardo Gonçalves previu que no curto e médio prazo haverá clubes e sociedades desportivas que vão cessar a actividade profissional de futebol, na Europa como em Portugal.
“A indústria de futebol é uma actividade económica como as outras e não está imune à crise”, disse à agência Lusa aquele analista da Deloitte, especializado na área do desporto.
Ricardo Gonçalves assinalou que o crédito mais escasso e mais caro, uma previsível redução dos proveitos de patrocínios e publicidade, menor rendimento da venda de jogadores para o estrangeiro e quebra de receitas de bilheteira e “merchandising” (vendas de camisolas e outros artigos), vai implicar “um aperto de cinto” dos clubes portugueses.
Salientou que com a baixa da taxa Euribor serão aliviados os custos dos clubes com empréstimos passados mas, num contexto de problemas de liquidez, a obtenção de novos empréstimos será dificultada: “Vai haver menos dinheiro para emprestar aos clubes”, e o custo do crédito vai agravar-se, com “spreads” muito maiores.
Aquele consultor da Deloitte sublinhou que a indústria de futebol, não só em Portugal como na Europa, está bastante endividada e apresenta um risco superior à média, “tem um balanço muito débil e vai ter problemas nesta conjuntura” de contracção económica.
Ricardo Gonçalves salientou que os custos com pessoal (salários mais amortizações de transferências) se situam em média em Portugal em 69 por cento das receitas correntes, acima dos 60 por cento recomendados pela UEFA, o que significa que é preciso um “pequeno ajustamento” no sector.
Mas o consultor da Deloitte acredita que, após uma fase de redução de preços de transferências e contenção de salários nas renegociações de contratos no curto/médio prazo, devido à crise económica, estas variáveis vão voltar ao normal e crescer no longo prazo.
Do ponto de vista económico, os salários de Cristiano Ronaldo justificam-se porque a sua produtividade marginal (aumento de receitas para o clube gerado pela sua contribuição) é muito elevada, indicou.
Ricardo Gonçalves acredita que a longo prazo a receita gerada pela indústria do futebol vai voltar a crescer, porque o rendimento disponível das famílias aumentará e haverá mais tempo de lazer, o que significa que os valores de transferências e os salários vão voltar a subir.
Adiantou que existe uma correlação directa entre o crescimento do PIB de cada economia e o crescimento das respectivas indústrias desportivas, em que o futebol ocupa lugar de relevo no caso europeu.
Ricardo Gonçalves salientou a tendência de globalização da indústria do futebol, com entrada em novos mercados, destacando que a opção pela realização de campeonatos mundiais em países como o Japão e Coreia do Sul ou na África do Sul se insere nessa lógica.
“Há grandes clubes europeus que estão a fazer as suas pré-épocas na China, numa lógica de globalização de marcas”, observou.
O especialista da Deloitte considera que a indústria mundial de futebol tem futuro e Portugal tem vantagens competitivas neste sector, porque é um mercado com grande apetência para a prática de futebol, que atrai muitos jovens, e para o seu consumo, além de ter um clima que permite jogar todo o ano e bons estádios espalhados por todo o país.
Além disso, nos últimos sete anos houve dois jogadores de futebol portugueses considerados como os melhores do mundo (Figo e Cristiano Ronaldo), o que contribui para que os futebolistas nacionais sejam mais valorizados nos mercados internacionais.
Ricardo Gonçalves defende que os clubes portugueses devem continuar a racionalização nos salários e custos de compra dos jogadores, que já começou há uns quatro anos, e transformar os modelos salariais, com maior componente de remuneração variável em função dos resultados, para se ajustarem a receitas também variáveis.
Fonte: Público