Formação
Qualquer dia, não há jogadores para a selecção
Numa entrevista a Bola Branca, Manuel José põe o dedo na ferida: “Qualquer dia, não há jogadores para a selecção”. Um dos mais experientes treinadores portugueses da actualidade analisa o momento da equipa das “quinas” e de um futebol português, que tem cada vez menos portugueses a actuar nos principais clubes.
“O Benfica joga sem um único português na equipa, o FC Porto joga com um, que naturalizado mas é cabo-verdiano e o Sporting também tem dois ou três. É evidente que por este caminho nós qualquer dia não temos jogadores. O que vi, honestamente, foi mau”, lamenta.
O treinador, actualmente a trabalhar no Al-Ahly do Egipto, acha que Portugal é neste momento uma selecção vulgar. O seleccionador já tinha ficado “preocupado” no jogo com a Islândia. Mas ontem, frente à Dinamarca ficou confirmado que Portugal” não tem uma equipa forte”.
“É evidente que faltam ali cinco ou seis jogadores bons que podiam ajudar a tornar a equipa, principalmente em termos defensivos, mais forte, mas aquilo que temos é muito pouco. Portugal tem neste momento uma equipa um bocado vulgar em relação aquilo que teve no passado recente”, considera.
Ainda sobre o jogo com a Dinamarca, Manuel José deixa críticas ao meio campo e às exibições dos jogadores mais cotados, como Cristiano Ronaldo e Nani. “Que me perdoem os jogadores e o treinador porque quem tenho o máximo respeito, mas é verdade que esta equipa de Portugal não é uma boa equipa neste momento. O Cristiano acabou por fazer aquele notável livre, mas não fez nada durante o jogo. O Nani também não. Os três jogadores do meio-campo praticamente não existiram”, criticou.
Nesta entrevista a Bola Branca, Manuel José destaca a importância da selecção estar no campeonato da Europa de 2012 e elogia o percurso de Paulo Bento no comando da equipa. “Entrou, fez um percurso notável e continua a ser notável à frente da selecção, mas ele joga com aquilo que tem. Mas é verdade que, na minha opinião, neste momento, tem pouco. Espero e desejo que isto sirva para chamar a atenção das pessoas”, rematou.
Fonte: RR
Evangelista defende mudança para aproveitar mais jovens futebolistas
O presidente do Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) , Joaquim Evangelista, defende a mudança da política desportiva para que mais jovens futebolistas sejam aproveitados pelas equipas portuguesas.
Apenas 6,4 por cento dos jogadores da Liga portuguesa são oriundos da formação, segundo o “Estudo demográfico dos futebolistas na Europa”, menos 1,3 por cento do que em 2009.
“Já se constatava esta tendência de desaproveitamento da formação. Quem tem responsabilidades acrescidas deve procurar introduzir uma política desportiva no país que altere estes resultados”, afirmou à Agência Lusa o líder do SJPF.
Joaquim Evangelista recusa justificações como a “redução salarial como fator de investimento nos mais jovens”, porque “em alguns casos sobrepõe-se o negócio ao modelo de desenvolvimento e aos interesses dos clubes, que, apesar de terem passivos muito elevados e estarem à beira da falência, continuam a praticar atos de gestão danosa, sem qualquer tipo de consequências, porque há um sentimento de impunidade”.
‘Fair-play’ financeiro
“Não podemos deixar de ler estes números à luz do que vai ser o conjunto de regras disciplinadoras do ponto de vista desportivo e financeiro, conhecido como ‘fair-play’ financeiro. Os dirigentes ainda estão a tempo de mudar de política, sob pena de serem obrigados mais tarde”, explicou.
O presidente do SJPF critica ainda a “questão cultural” de “gestão dos clubes em função de um resultado desportivo”: “Isso leva a que se apostem em jogadores estrangeiros muitas das vezes sem qualquer referência, mas que os dirigentes acham que vêm resolver os seus problemas”.
“É mais fácil iludir os sócios com um jogador brasileiro ou argentino”
“É mais fácil iludir os sócios com um jogador brasileiro ou argentino, do que com um português. Já diziam os nossos avós que os santos da casa não fazem milagres e, portanto, a política é tentar ir buscar um santo lá fora para ver se há milagres. A verdade é que os milagres não acontecem por acaso”, referiu.
Além dos dirigentes, Evangelista culpa ainda empresários e também os técnicos portugueses: “Há muitos treinadores que foram jogadores e enquanto praticantes queriam oportunidades mas são os primeiros, quando têm de optar, a optar por estrangeiros em detrimento do português. Esses treinadores, esses dirigentes e alguns empresários têm de ser responsabilizados”, frisou.
“Loucura dos clubes portugueses em ‘pescar’ no Brasil”
Por seu lado, o presidente da Associação Nacional de Agentes Futebol acusa o desaparecimento do limite do número de estrangeiros pela diminuição de futebolistas provenientes da formação, admitindo a “loucura dos clubes portugueses em ‘pescar’ no Brasil”.
“Já a instabilidade contratual explica-se com a necessidade dos jogadores tentarem constantemente a mudança, sempre à procura de um clube melhor e mais estável. Têm sempre a vontade de, quando possível, dar o salto. É uma mentalidade instituída ente diretores, treinadores, empresários desportivos e comunicação social”, salientou Artur Fernandes.
Fonte: Expresso
Revolução no futebol inglês em defesa da formação
A Premier League vai sofrer uma verdadeira revolução em 2010/11, em defesa da formação dos jovens talentos, e que promete complicar a vida a alguns clubes ingleses, três deles fortes candidatos ao título: Arsenal, Chelsea e Liverpool.
A partir da nova temporada, os clubes podem apenas inscrever 25 jogadores seniores, lote que deve incluir pelo menos oito futebolistas formados no país, mesmo que estrangeiros – este critério é definido por aqueles que estiveram ao serviço de formações inglesas ou galesas durante três épocas antes do fim da temporada em que completem 21 anos. Os clubes que não conseguirem cumprir este requisito vêem-se assim limitados a diminuir o número de jogadores seniores inscritos, tendo, porém, à sua disposição a utilização ilimitada de futebolistas sub-21.
O grande objectivo desta legislação, com moldes semelhantes à utilizada pela UEFA para a Liga dos Campeões e Liga Europa, é fomentar a aposta na formação e assim permitir a ascensão dos jovens talentos ingleses, tendo em vista o renascimento de uma selecção de Inglaterra mais poderosa.
Fonte: O jogo
1º curso nacional de Formação de Treinadores de Guarda-Redes (FPF)
Com um limite de 24 formandos, as inscrições para o primeiro curso nacional de Formação de Treinadores de Guarda-Redes, que a Federação Portuguesa de Futebol vai organizar, entre os dias 6 e 10 de Outubro de 2009, já se encontram abertas.
Dirigido a todos os treinadores que possuam o diploma UEFA “B” (II Nível) e que desejem aprofundar os seus conhecimentos na área, o curso terá como prelector principal o espanhol José Sambade, treinador de guarda-redes do Deportivo da Corunha e formador principal da área na Real Federação Espanhola de Futebol.
A iniciativa, que terá a duração de 30 horas, será realizada em regime de internato e estará exclusivamente vocacionada para a preparação do guarda-redes, tendo como disciplinas a Metodologia do Treino, Técnico-Táctica, Capacidades Motoras, Psicologia e Medicina Desportiva, todas aplicadas aos guarda-redes.
O Centro de Estágios e Formação Desportiva de Rio Maior acolherá a acção, cujas inscrições estarão disponíveis até à próxima quinta-feira, dia 24 de Setembro.
Clique aqui para aceder à ficha de inscrição.
Fonte: FPF
Maior aposta na formação
A Associação das Ligas Europeias de Futebol Profissional (EPFL) reunida em Lisbia, assumiu a intenção de estimular os clubes a apostarem mais na formação e mantém-se determinada no combate ao tráfico e exploração de jovens jogadores.
“A aposta na formação é um factor de desenvolvimento estratégico da modalidade. Queremos estimular o investimento na formação e promover o nascimento de talentos locais, prevenindo e combatendo, igualmente, o fenómeno de tráfico de jogadores”, revelou Emanuel Medeiros, director geral executivo da EPFL, à Agência Lusa, depois de uma reunião do Comité de Transferências e Agentes do organismo, realizada em Lisboa.
O principal responsável da instituição que reúne 28 ligas europeias (com quase 1.000 clubes envolvidos) revelou estar preocupado com a situação, mas também sublinhou a existência de uma grande concertação de esforços, envolvendo todas as organizações do futebol e também governos nacionais e comunitários, no sentido de modificar a actual conjuntura.
“É importante, também, zelar para que as condições de treino e alojamento sejam as adequadas para os jovens futebolistas e que, para além dos talentos nas quatro linhas, haja preocupação no desenvolvimento do intelecto dos jogadores”, lembrou.
Emanuel Medeiros acrescentou ser necessário “reforçar os incentivos aos clubes formadores” e salientou a importância da intervenção governamental nesta matéria. “A juventude, a saúde e a prática desportiva são imperativos constitucionais. Todos temos responsabilidades diferentes, mas complementares, neste domínio”, frisou.
Desta forma, a EFPL pretende elaborar um “código das melhores práticas em matéria de recrutamento, treino e formação de jovens jogadores”, assim como estudar esta realidade em cada uma das ligas suas associadas.
Fonte: Record